segunda-feira, 8 de novembro de 2010
eis o fim de um mundo
quero eu nessa madrugada apenas o direito de alterar roteiros. e eu quis muitos poderes mágicos no último e penúltimo minutos. eu quero, eu quis, eu quererei. coisas. algumas coisas. talvez hoje muitas e nenhuma outra amanhã. e nem ao menos sei por que e pra quê. vão-se os meus desejos sem respostas e voltam perguntas também sem respostas. vai-se a dúvida e o que volta é o medo. ando sem sorte, sem amores, sem muitos sorrisos. apenas me resta uma quantidade inexpressiva de gargalhadas, guardada num lugar distante por economia. por miséria humana e desumana. eu luto contra mim e contra ti. luto quando tu já não és tu, mas simplesmente você. luto contra ele e contra ela. contra nós. contra vós e/ou vocês eu também luto. e nunca deixo de estar de luto por eles e elas. já não tenho mãos fortes e as pernas fraquejaram. coração ferido é o que trago para a exposição. coração frito. coração na brasa. um coração numa bandeja de plástico com legumes desenhados. coração pingando gordura e sangue. divirta-te / lambuza-te.
domingo, 24 de outubro de 2010
acordei nesse domingo chato
fui escovar os dentes
me olhei no espelho e constatei:
sou apenas uma morsa gorda.
com o sangue já cheio de café e tédio,
minha mente elétrica grita algo nonsense,
num surto completamente banal
que não interessa a mais ninguém.
mas um surto que eu gosto de compartilhar
pra ver se alguma alma divide comigo essa insanidade.
pra saber se algum ser ligado a mim por uma rede invisível,é capaz de nessa manhã de domingo chato
ser louco e gritar junto comigo,
despertando quem ainda dorme
em qualquer canto desse grande pequeno mundo:
I am the eggman
They are the eggmen
I am the walrus
Goo goo g'joob
sábado, 23 de outubro de 2010
nesse exato momento eu apenas desejo gritar palavras certeiras,
mas não sei transformar esse meu grito em frase.
deixo aqui transcrita minha incapacidade,
minha falta de talento,
minha falta de autocontrole.
transcrevo minha baixeza,
transcrevo meus medos,
transcrevo minha loucura sem cura.
transcrevo que embora sorridente a minha alma sempre dói.
transcrevo que tenho maus desejos,
que muito pouco sei do amor
e que não tenho as emoções em ordem.
transcrevo que quero muito dinheiro;
que quero filhos e casamento,
ou casamentos e filho;
o que eu desejo é uma casa gigante em Ipanema
com terraço e vista pro mar
só pra fazer orgia todas as noites,
pra alimentar meus vícios, minhas compulsões nervosas,
pra fumar cinco cigarros de uma vez,
pra usar todas as drogas existentes olhando pro cristo de braços abertos
em represália ao caos da cidade -
quero ser o rebelde de um filme rodado nos anos oitenta;
eu transcrevo que quero férias e quero viajar pra Europa.
e eu posso te garantir
que querer apenas o mesmo que qualquer burguês filho da puta
faz um homem sangrar.
transcrevo que a minha alma é suja e meu moral é torto.
transcrevo que mato meu sonhos diariamente
porque eu não acredito neles,
mas deixo renascerem no dia seguinte.
sou extremamente fraco!
transcrevo que me olho muito no espelho
e não me acho bonito como eu quero me achar,
mas me atraio por mim.
me atraio e me traio, sempre, todos os dias.
porque eu sou mesmo um filho da puta, um canalha, um sujo,
sou só um imundo perdido numa noite escura e barulhenta,
procurando uma casa de samba que não me cobre a entrada.
transcrevo que tenho todos os defeitos,
que tenho pânico do mundo,
e que sou muitíssimo dissimulado.
ah, eu transcrevo que sinto coisas horríveis
e que eu me controlo o tempo todo
só pra não dizer as frases que não podem ser ditas,
embora torcendo pra falhar e dizer.
eu confesso, sem nenhum pudor,
que quando não encontro um lugar bacana pra eu ir,
quando não tenho ninguém pra visitar e amar,
eu torço pra que chova muito,
só pra ninguém sair de casa.
e eu transcrevo tudo isso e te peço:
por favor conte pra todos!
sim, publica na tua coluna no jornal,
escreve no mural do teu facebook,
me ponha no teu próximo curta metragem, porra.
sim, eu te imploro,
faz um filme fodido sem verba,
sem patrocínio,
sem apoio nenhum.
um filme que seja muito tosco,
mas que saiba ser foda.
com música forte e luz bacana num clima noir.
conta pra todo mundo que eu não presto,
que eu não tenho escrúpulos,
que eu venderia meu corpo e minha alma por muito dinheiro.
e talvez até por bem pouco,
por um copo de cerveja num dia quente
ou por uma xícara de café forte e doce num dia muito frio.
conta nesse teu filme tudo isso sobre a minha escrota pessoa.
também transcrevo isso pra que você musique como meu tema.
uma música que não vire hit,
que não toque em nenhuma balada,
uma música que os críticos chamem de arte.
música pra gente rica ouvir bebendo vinho,
comendo foie gras com amora
e trepando loucamente.
e eu só te peço mais uma coisa:
faz parecer que eu sou único.
não fode a porra do filme,
não mostra que sujeira e podridão são requisitos pra sobreviência
num mundo perdido sem dó e sem deus.
assino contrato e dou entrevista e fico muito famoso,
mas só se for como eu quero.
sou o único sujo.
a única alma podre do planeta.
o único ser humano que não é humano porque o seu espírito é de porco.
no fim do teu filme,
põe meu nome maior que o de todos.
coloca uma cor em destaque no meu nome artístico,
esse que eu uso como roteirista
e também como ator e poeta.
mas, por favor,
não esquece de me ajudar a confirmar,
de dizer por aí que o meu roteiro não tem nada de autobiográfico.
de dizer que só uso a primeira pessoa nos meus versos
porque sou limitado,
um artista medíocre,
que só assim eu aprendi fazer.
não esquece nunca de dizer em todos os lugares
que eu tenho um coração limpo,
que eu tenho uma alma iluminada.
mas não sei transformar esse meu grito em frase.
deixo aqui transcrita minha incapacidade,
minha falta de talento,
minha falta de autocontrole.
transcrevo minha baixeza,
transcrevo meus medos,
transcrevo minha loucura sem cura.
transcrevo que embora sorridente a minha alma sempre dói.
transcrevo que tenho maus desejos,
que muito pouco sei do amor
e que não tenho as emoções em ordem.
transcrevo que quero muito dinheiro;
que quero filhos e casamento,
ou casamentos e filho;
o que eu desejo é uma casa gigante em Ipanema
com terraço e vista pro mar
só pra fazer orgia todas as noites,
pra alimentar meus vícios, minhas compulsões nervosas,
pra fumar cinco cigarros de uma vez,
pra usar todas as drogas existentes olhando pro cristo de braços abertos
em represália ao caos da cidade -
quero ser o rebelde de um filme rodado nos anos oitenta;
eu transcrevo que quero férias e quero viajar pra Europa.
e eu posso te garantir
que querer apenas o mesmo que qualquer burguês filho da puta
faz um homem sangrar.
transcrevo que a minha alma é suja e meu moral é torto.
transcrevo que mato meu sonhos diariamente
porque eu não acredito neles,
mas deixo renascerem no dia seguinte.
sou extremamente fraco!
transcrevo que me olho muito no espelho
e não me acho bonito como eu quero me achar,
mas me atraio por mim.
me atraio e me traio, sempre, todos os dias.
porque eu sou mesmo um filho da puta, um canalha, um sujo,
sou só um imundo perdido numa noite escura e barulhenta,
procurando uma casa de samba que não me cobre a entrada.
transcrevo que tenho todos os defeitos,
que tenho pânico do mundo,
e que sou muitíssimo dissimulado.
ah, eu transcrevo que sinto coisas horríveis
e que eu me controlo o tempo todo
só pra não dizer as frases que não podem ser ditas,
embora torcendo pra falhar e dizer.
eu confesso, sem nenhum pudor,
que quando não encontro um lugar bacana pra eu ir,
quando não tenho ninguém pra visitar e amar,
eu torço pra que chova muito,
só pra ninguém sair de casa.
e eu transcrevo tudo isso e te peço:
por favor conte pra todos!
sim, publica na tua coluna no jornal,
escreve no mural do teu facebook,
me ponha no teu próximo curta metragem, porra.
sim, eu te imploro,
faz um filme fodido sem verba,
sem patrocínio,
sem apoio nenhum.
um filme que seja muito tosco,
mas que saiba ser foda.
com música forte e luz bacana num clima noir.
conta pra todo mundo que eu não presto,
que eu não tenho escrúpulos,
que eu venderia meu corpo e minha alma por muito dinheiro.
e talvez até por bem pouco,
por um copo de cerveja num dia quente
ou por uma xícara de café forte e doce num dia muito frio.
conta nesse teu filme tudo isso sobre a minha escrota pessoa.
também transcrevo isso pra que você musique como meu tema.
uma música que não vire hit,
que não toque em nenhuma balada,
uma música que os críticos chamem de arte.
música pra gente rica ouvir bebendo vinho,
comendo foie gras com amora
e trepando loucamente.
e eu só te peço mais uma coisa:
faz parecer que eu sou único.
não fode a porra do filme,
não mostra que sujeira e podridão são requisitos pra sobreviência
num mundo perdido sem dó e sem deus.
assino contrato e dou entrevista e fico muito famoso,
mas só se for como eu quero.
sou o único sujo.
a única alma podre do planeta.
o único ser humano que não é humano porque o seu espírito é de porco.
no fim do teu filme,
põe meu nome maior que o de todos.
coloca uma cor em destaque no meu nome artístico,
esse que eu uso como roteirista
e também como ator e poeta.
mas, por favor,
não esquece de me ajudar a confirmar,
de dizer por aí que o meu roteiro não tem nada de autobiográfico.
de dizer que só uso a primeira pessoa nos meus versos
porque sou limitado,
um artista medíocre,
que só assim eu aprendi fazer.
não esquece nunca de dizer em todos os lugares
que eu tenho um coração limpo,
que eu tenho uma alma iluminada.
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
caminhando e cantando e seguindo a canção.
Ainda menino, mesmo quando acordava, continuava em sonhos. Ele sabia que podia viver assim, desde que batalhasse e entendesse que sofreria mais que todos. Mas é verdade que os seus prazeres seriam os melhores, daqueles que todos dariam a vida para sentir por pelo menos um minuto. Já pensou que daria certo sempre, logo depois que sempre errado. Agora, pelo que dizem, já entende que o que der foi o que deveria. Outro dia, eu soube que ele ainda sofre por solidão. É verdade que deve ser duro ser assim, sabe? Eu o olho como um bom exemplo, mas tenho medo que sofra demais. Eu lhe ensino: deve-se amar menos, sentir menos, querer menos, esperar menos. Mas ele me diz sempre que não. Eu devo saber o que estou fazendo, é o que me diz. A segurança que ele me passa, mesmo usando um devo, faz com que eu lhe veja com olhos melhores. Ele diz coisas que as pessoas têm medo de falar, já que as pessoas têm medo de existir, dele também essa frase do medo das pessoas. Eu gosto de falar com ele e, principalmente, de procurar respostas nos seus olhos. Ele me ensina, mas eu, covarde, insisto em dizer estás louco, assim, de verdade, piras. Pois eu mudaria, é o que me explica, caso lúcido me tornasse. Ele gosta desse prazer massacrante de brincar com as palavras e assim me confunde. Ele sabe que eu não sou como ele. Mas ele não me exclui por isso, de verdade que não. Eu é que não consigo ir tão adiante. Queria ser um pouco menos limitado, mas é que isso também não é simples. Ele me convida e se eu digo sim, ele me espera. Quando digo não quero – porque vergonha tenho de dizer não posso – quando vejo já foi, na sua ligeireza de jovem forte. Como pode? É o que me pergunto em voz muito baixa. Mas ele, como eu não sei, ouve e me diz para parar com as perguntas. Eu então proponho procurar outros pontos e ele ri, debochadamente – mas sem ser agressivo. E ele me diz que pontos são pausas e a vida é rápida pra se pontuar tanto. Os pontos? Deixa pro editor, meu caro. Acho que ele fala de Deus nessa hora, mas nem sei se ele sabe o que fala. Às vezes tenho certeza que sim, nas outras quase certeza. Mas não lhe pergunto, porque embora eu lhe ignore e finja que lhe ache tonto, o que ele me ensina eu retenho e sigo. Assim, evito demasiadas perguntas e sigo, adiante e adiante, e volto quando necessário, sim eu volto. Ele me disse: quando tiver que voltar, volte, mas volte muito feliz. E se puder ir, vá, mas vá muito feliz. Só não fique muito tempo parado, porque aí não há crescimento, tampouco felicidade.
sábado, 3 de outubro de 2009
Como já disse Gullar "uma parte de mim é multidão: outra parte estranheza e solidão"
Um leve sorriso nos lábios e uma certa melancolia na alma. Saber manter um largo sorriso quando se tem vontade de isolar-se do mundo não é de todo fácil. Saber isolar-se quando se tem necessidade de dias intensos, tampouco.
E com as coisas que vão, sempre há um novo que chega. Situações te cobram respostas, mas elas nem sempre existem. Ou até existem, mas não são apropriadas para o momento. Uma coisa que agora percebo, e falo com convicção, é que não adianta fugir da realidade. Passar por cima de tudo não é uma boa opção. É preciso força e maturidade para entender que o mundo não é como sonhamos. Sem essa de que não vemos o mundo como ele é, mas como nós somos. Caso fosse, não veria miséria, não veria ingratidão e nem poderia enxergar que falta verdade entre as pessoas. O jogo do mundo não me soa agradável e estou ainda confuso se lhe viro as costas ou se tento me habituar.
Viajar pelo mundo e estar longe da segurança que só o espaço habitual oferece, aguça a visão. Enxerga-se quão bom pode ser viver, mas também se percebe como muitas coisas ainda estão fora de lugar. Ainda não me habituei. Preciso de cada um dos meus. Ver minha família, ouvir meus amigos, falar pra quem entende até a minha respiração, sentir o cheiro do meu habitat e tocar em objetos e pessoas que avivem as minhas memórias.
Medos, inseguranças e incertezas, tudo isso tem me acompanhado nesses 20 anos. Mas em menos de 1 mês tenho sido extremamente sufocado. O meu consolo é a fé de que há nessa trajetória, acima das perdas, vitórias imensas. Dia de bênção, véspera de provação. O amanhã chega ligeiro e logo se percebe o quão boas foram as transformações. Além disso, é preciso agradecer as oportunidades que só o "se jogar no mundo" pode oferecer. A oportunidade de ter acesso a novas culturas é fascinante! E mais do que isso, a oportunidade de viver com pessoas que mesmo que não saibam já são importantes para você, é louvável! E isso somado a muitos momentos de diversão, gargalhadas, retardos mentais, papos construtivos e noites em claro, muitas noites em claro.
Instabilidade talvez defina a situação de alguém que abriu mão por um tempo de tudo o que mais precisa em prol de um ideal. E isso porque crescer não é fácil, mas extremamente necessário para quem busca o autoconhecimento.
E com as coisas que vão, sempre há um novo que chega. Situações te cobram respostas, mas elas nem sempre existem. Ou até existem, mas não são apropriadas para o momento. Uma coisa que agora percebo, e falo com convicção, é que não adianta fugir da realidade. Passar por cima de tudo não é uma boa opção. É preciso força e maturidade para entender que o mundo não é como sonhamos. Sem essa de que não vemos o mundo como ele é, mas como nós somos. Caso fosse, não veria miséria, não veria ingratidão e nem poderia enxergar que falta verdade entre as pessoas. O jogo do mundo não me soa agradável e estou ainda confuso se lhe viro as costas ou se tento me habituar.
Viajar pelo mundo e estar longe da segurança que só o espaço habitual oferece, aguça a visão. Enxerga-se quão bom pode ser viver, mas também se percebe como muitas coisas ainda estão fora de lugar. Ainda não me habituei. Preciso de cada um dos meus. Ver minha família, ouvir meus amigos, falar pra quem entende até a minha respiração, sentir o cheiro do meu habitat e tocar em objetos e pessoas que avivem as minhas memórias.
Medos, inseguranças e incertezas, tudo isso tem me acompanhado nesses 20 anos. Mas em menos de 1 mês tenho sido extremamente sufocado. O meu consolo é a fé de que há nessa trajetória, acima das perdas, vitórias imensas. Dia de bênção, véspera de provação. O amanhã chega ligeiro e logo se percebe o quão boas foram as transformações. Além disso, é preciso agradecer as oportunidades que só o "se jogar no mundo" pode oferecer. A oportunidade de ter acesso a novas culturas é fascinante! E mais do que isso, a oportunidade de viver com pessoas que mesmo que não saibam já são importantes para você, é louvável! E isso somado a muitos momentos de diversão, gargalhadas, retardos mentais, papos construtivos e noites em claro, muitas noites em claro.
Instabilidade talvez defina a situação de alguém que abriu mão por um tempo de tudo o que mais precisa em prol de um ideal. E isso porque crescer não é fácil, mas extremamente necessário para quem busca o autoconhecimento.
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
dos achados da vida
"Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura.Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico."
Nelson Rodrigues
**************************************************************************************
"Você está sendo acordada pela curiosidade, aquela que empurra pelos caminhos da vida real. Mas não tenha medo da desarticulação que virá. Essa desarticulação é necessária para que se veja aquilo que, se fosse articulado e harmonioso, não seria visto, seria tomado como óbvio. Na desarticulação haverá um choque entre você e a realidade, é preferível estar preparado pra isso, a verdade é que estou contando a você parte do meu caminho percorrido. Nos piores momentos, lembre-se: quem é capaz de sofrer intensamente também pode ser capaz de intensa alegria."
Clarice Lispector
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Assinar:
Postagens (Atom)
+de+day+e+eu.jpg)